 
Como acertar nas decisões
Paulo Cury - Gazeta Mercantil
Quantas decisões você toma por dia, por mês e por ano? Estudos sugerem que decidimos de 100 a 200 vezes diariamente, sobretudo no âmbito corporativo. Entrevistas com executivos seniores dos mais diferentes setores confirmaram minha percepção de que as empresas, geralmente, não têm um processo estruturado de tomada de decisões. Os executivos investem pouca energia nisso. Decidir requer pensar estrategicamente e ter tempo. E no mundo corporativo, associamos eficiência à rapidez. É mais confortável "tirar o problema da frente" do que analisá-lo meticulosamente antes de decidir.
Existem três armadilhas que podem transformar uma decisão em uma catástrofe:
Ancoragem - Como você responderia à questão: quanto o Brasil crescerá em 2007? Provavelmente usaria algum dado passado, como a informação A, ou seja, nos últimos três anos o país cresceu em média 3%. Anote a sua projeção. Agora, apóie-se somente na informação B: nos últimos três anos, Brasil, Rússia, Índia e China cresceram em média 6%. Qual seria a sua expectativa? Este teste invariavelmente gera resultados diferentes para A e B. Isso porque o cérebro humano dá enorme peso às primeiras informações que recebe.
Há técnicas para diminuir a ancoragem: avalie a decisão sob diferentes perspectivas; questione se os dados disponíveis são explicativos; evite influenciar a sua equipe antes de ela chegar às próprias conclusões e não se deixe "ancorar" pelas propostas iniciais de seu interlocutor.
Evitar cometer equívocos - Algumas decisões visam proteger escolhas equivocadas do passado. Mas faz pouco sentido continuar numa direção que se revelou errada. Aqui, o melhor é avaliar as decisões dentro do contexto atual, sem olhar para trás.
Nesta armadilha aceita-se tudo o que apóia o ponto de vista inicial e rejeita-se o restante. Isso afeta a coleta e a interpretação dos dados.
As opções para evitar esta armadilha são: dê igual atenção às informações favoráveis e contrárias à sua decisão; exclua da decisão os fatores externos que podem distorcê-la e chame alguém para fazer o papel de "advogado do diabo".
A melhor maneira de lidar com as armadilhas inerentes a uma decisão é ter uma abordagem disciplinada, que envolve: 1) definir com clareza sobre o que se quer decidir; 2) listar as informações necessárias para se ter uma visão completa (prós e contras) da questão; 3) estabelecer as opções disponíveis para solucionar o problema; 4) identificar as conseqüências das diferentes opções; e 5) estimar a probabilidade de cada opção acontecer.
Você pode questionar: "Decido de forma intuitiva e os resultados são bons. Será que é realmente necessária uma abordagem organizada?". A intuição ajuda, mas não basta. Decisões contêm emoções e a tendência é "produzirmos" boas explicações, travestidas de intuição, para reforçar posições que emocionalmente são mais confortáveis ou aparentemente seguras. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3) |