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CONDERE NA MÍDIA

Consolidação chega aos pequenos e médios

Altamiro Silva Júnior - Valor Econômico

Crédito aumentando 25%. Cartões com expansão de 20%. Comércio exterior em alta, mercado de capitais aquecido e seguros com crescimento mínimo de 10%. O ano de 2010 promete consolidar a recuperação do setor bancário após o susto da crise financeira, que trouxe alta da inadimplência, desaceleração dos empréstimos e aumentos extras de provisões.

 

Já o movimento de consolidação, pelo menos entre os grandes bancos privados, parece ter chegado ao fim, apontam especialistas ouvidos pelo Valor. A razão é simples: falta de opções de compra depois que o Itaú se juntou ao Unibanco e o Santander comprou o Real. Por isso, a previsão é que as fusões e aquisições se concentrem nos pequenos e médios. As apostas são de dois tipos de negócios. Entre os próprios bancos menores, que se juntariam para ganhar escala; e bancos grandes englobando pequenos, como já começou a acontecer, com a compra do ibi pelo Bradesco e do Panamericano pela Caixa Econômica Federal.

 

"Grandes fusões vão ser difíceis por haver poucos ativos disponíveis", diz Rodolfo Spielmann, sócio especialista no setor financeiro da Bain & Company. Além disso, Itaú Unibanco e Santander (com o Real) ainda estão "digerindo" as recentes aquisições, por isso teriam pouco interesse em novos negócios. "A consolidação que tinha que acontecer já aconteceu. Acho que os grandes bancos, como Itaú Unibanco, têm é condições para se internacionalizar e consolidar o mercado regional", diz o consultor Paulo Cury, sócio da Condere.

 

Com poucas opções de compra disponíveis no mercado, o Bradesco optou pelo crescimento orgânico. Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do banco, disse recentemente ao Valor que o Bradesco tem grande capacidade de crescer atraindo novos clientes. Tem aberto uma média de 6 mil contas correntes por dia, a grande maioria de pessoas que estavam fora do sistema financeiro. Em novembro, o banco divulgou que chegou a 100% dos municípios brasileiros.

 

O Bradesco também elegeu o mercado de seguros como um de seus dois pilares de crescimento. A seguradora responde por 35% do lucro do banco - a média em outras instituições financeiras é de 15%. "Vamos trabalhar para, no mínimo, manter essa participação", diz Marco Antonio Rossi, que passou a comandar o Grupo Bradesco de Seguros e Previdência em abril. Para 2010, ele prevê crescimento de 15% no faturamento.

 

Ainda no setor de seguros, o Banco do Brasil termina em 2010 a reestruturação de toda sua área, que agora passa a contar com parceria da seguradora espanhola Mapfre. O BB já avisou que quer participação do setor de seguros nos seus negócios nos moldes do Bradesco. O Itaú também mudou totalmente a área. Vendeu a seguradora de saúde, comprou a participação da americana XL na sua seguradora de grandes riscos e fez um acordo societário com a Porto Seguro para o mercado de automóveis e residências.

 

Além dos seguros, várias linhas de negócios têm perspectiva favorável para 2010. Rubens Sardenberg, economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), avalia que o mercado de capitais terá um bom ano, por conta da necessidade de investimento das empresas, com operações tanto de aberturas de capital como de lançamento de debêntures. "Tudo isso gera negócio para os bancos", diz ele. A recuperação, ainda que lenta, da economia de alguns países desenvolvidos e o crescimento da Ásia também estimulam as vendas externas e as consequentes operações de financiamento à exportação. Mas é no crédito interno que estão as maiores apostas.

 

"Será um ano de crescimento econômico alto e de expansão do crédito forte", diz Sardenberg. As projeções médias são de expansão de 20% a 25% dos empréstimos, mas alguns analistas já arriscam a prever crescimento de 30%, bem acima dos 13% deste ano. As projeções apontam que a relação crédito/Produto Interno Bruto (PIB) alcance a cifra recorde de 53%.

 

Capitalizados, os grandes bancos devem despejar no mercado de empréstimos mais de R$ 200 bilhões. Só o Santander captou R$ 13 bilhões com sua abertura de capital em setembro, a maior do mundo neste ano. Já os bancos médios e pequenos devem aproveitar o novo instrumento de captação criado pelo governo, a letra financeira, um título de renda fixa que pode render entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões para o setor, segundo projeções da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A intenção do governo é facilitar a captação de funding de longo prazo.

 

Com o crescimento da economia e o aumento da renda e do emprego, a expectativa é que a inadimplência caia em 2010, depois de bater picos de alta em 2009, apontam os analistas da Link Investimentos. O financiamento imobiliário deve liderar o crescimento, porque ainda é pouco desenvolvido no país e tem espaço maior para crescer. Mas os analistas apontam também forte crescimento nos empréstimos pessoais e no crédito à pessoa jurídica. "Vimos nos últimos meses que a recuperação para pessoa física já começou", diz Laura Lyra Schuch, analista de bancos da Ativa Corretora.

 

Mas nem tudo são flores. Em meio à crise, os bancos privados cortaram o crédito e os públicos assumiram esse papel. Já 2010, com cenário bem diferente, promete forte competição entre os privados, e entre estes e os públicos. "Pode ocorrer uma queda nas margens e a rentabilidade pode ser pressionada", diz Laura, da Ativa. As margens mais estreitas podem ser compensadas por maior escala ou alavancagem, avalia a diretora sênior de instituições financeiras da Fitch Ratings, Maria Rita Gonçalves. Entre os bancos médios, a maior disputa deve se concentrar em nichos de mercado, como crédito consignado ou empréstimos para médias empresas. "Vejo os médios se fortalecendo ou por atuação em nichos de mercado ou por atuação regional", diz Cury, da Condere. "Já os bancos públicos prometem dar trabalho aos grandes bancos privados."

 

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