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CONDERE NA MÍDIA

Dez maiores bancos concentram 85,7% das operações de crédito do mercado

Maria Christina Carvalho - VALOR ECONÔMICO

O impacto do aperto de liquidez na oferta global de crédito doméstico é relativizado pelo fato de os grandes bancos concentrarem a parte do leão no mercado e terem sido menos afetados do que os demais. Os dez maiores bancos concentra 85,7% do saldo de crédito, de acordo com dados de junho do Banco Central (BC).

 

Um ano atrás, antes da escala dos bancos médios e pequenos turbinados por operações de lançamento de ações (IPOs, na sigla em inglês), os grandes dominavam um pouco mais, 86,6%.

 

O total de operações de crédito desse bloco de elite ficou praticamente estável entre um ano e outro, em R$ 696,3 bilhões. Já o saldo total dos 101 bancos cresceu 29,4% para R$ 812,5 bilhões.

 

Mesmo no bloco de elite o comportamento não foi uniforme. Enquanto Banco do Brasil, Itaú e Bradesco aumentavam as carteiras na faixa de 30%. Não muito distante ficaram a Caixa Econômica Federal, Unibanco e HSBC, com aumentos na faixa de 27% a 28%. Fora do parâmetro ficaram o Votorantim, cuja carteira saltou 60%; e o Safra, que reduziu o crédito em 1,9%.

 

Para o consultor Paulo Cury, da Condere, os bancos médios e pequenos e as financeiras terão que ajustar os negócios à nova realidade de dinheiro mais caro, menor liquidez e maior inadimplência. "Esse cenário vai afetar a rentabilidade das instituições financeiras. Elas terão que alocar o capital de forma mais inteligente, buscando os produtos de maior retorno", afirmou Cury.

 

O financiamento de veículos, por exemplo, tem margens tão estreitas "quando o dinheiro é barato", explicou. O financiamento de veículos exige grandes volumes negociados para ser viabilizado. Mas, segundo Cury, "não é hora de se pensar em grandes volumes.

 

Já o crédito consignado, mesmo com taxas baixas como o financiamento de veículos, oferece retorno melhor porque a inadimplência é muito baixa.

 

Segundo aconselha Cury, os bancos pequenos e médios devem se concentrar em operações como o crédito pessoal, que oferece maior retorno, apesar de ser mais arriscado. Outra alternativa que indica é o cartão de crédito, também operação de maior retorno e risco maior.

 

Cury afirmou que os bancos também devem voltar a se concentrar em eficiência e corte de despesas. "Após tempos de bonança, as empresas tendem a se acomodar", afirmou.

 

A expectativa dos bancos médios é que a flexibilização dos compulsórios anunciada ontem melhore a distribuição da liquidez para os bancos pequenos e médios a médio prazo.

 

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